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domingo, 13 de julho de 2014

Alergias e Intolerâncias

"Os primeiros passos após a descoberta"

Lidando com as emoções

Um tempo sumida do blog, volto com um assunto que tem aparecido muito...
Quando uma pessoa descobre quem tem alguma alergia ou intolerancia alimentar, provavelmente entra em estado de choque. Tenho visto alguns pacientes ficarem realmente preocupados e entristecidos com a situação, querendo repetir exames, buscando outras opiniões profissionais e ainda “acreditando” em informações erradas para poder aliviar a dor da notícia.

A pessoa percebe que sua vida precisará de mudanças drásticas, mas não sabe como e demora um pouco para poder aprender a lidar com a situação, tanto no lado emocional quanto prático.

Sem dúvida, é frustrante saber que você terá que conviver com uma condição que pode dificultar a sua vida. Algumas crianças até aceitam bem e superam a alergia ou intolerância. Mas no momento, o paciente está preso a ela e precisa aprender a assimilar o fato.

Há ainda um estado de tristeza que é acompanhado por um momento de compulsão pelo alimento proibido, o estágio “por que eu?”, que se repetirá periodicamente e ainda o pensamento de “um pouquinho não fará mal”.

Uma das coisas mais difíceis é aceitar o que não pode ser mudado, mas este é o primeiro passo para planejar estratégias sem determinados alimentos. A busca de informações com profissionais capacitados é essencial, evitando amadores bem intencionados.
Não é uma boa estratégia ficar remoendo coisas que não podem ser alteradas ou ficar remoendo teorias conflitantes na imprensa ou internet. Concentre-se em obter informações precisas, objetivas e direcionadas à sua qualidade de vida.

Normalmente, não é preciso eliminar todos os alimentos preferidos, então nessa hora é preciso ter calma para identificar situações e escolhas de risco, pois até mesmo uma saída para um jantar pode ser um obstáculo perigoso. Assim, é preciso aprender se comunicar sobre o assunto, pois nem todos os lugares estão preparados para te oferecer informações corretas. A dica é conversar objetivamente, negociando o que quer ou não no seu prato.

Etiqueta da alergia

Diga às outras pessoas apenas o que precisam saber sobre a sua sensibilidade ou de seu filho ou familiar. Por exemplo, se precisar de questões no ambiente escolar, seja pontual com o nível adequado de detalhes, pois é possível que a pessoa que receba as informações nunca tenha ouvido falar sobre o assunto e se confunda com as novidades.

E nunca deixe de checar as informações. Se não souber o que contém, não coma nada.
Quando precisar, leve sua comida. Evite fazer cena ao recusar os alimentos, pois muitos não entendem a gravidade do problema, nem adote um tom ofensivo quando lhe oferecerem algo que não pode comer, pois não se ganha nada chateando as pessoas. Assim, a melhor estratégia é se colocar no lugar do outro, de como se sentiria se fosse você quem tivesse cozinhar ou preparar um alimento específico apenas para 1 pessoa em uma festa de 50 pessoas.

Seja otimista e prático, celebrando ao invés de se lamentar. A postura negativa não ajuda em nada e só deixa o alérgico em um estado de “coitadinho”, em vez de se alegrar por todos os alimentos permitidos e pelas soluções culinárias criativas existentes. É muito melhor pesquisar e descobrir tudo que antes era esquecido e agora pode vir a fazer parte do seu prato, ainda mais nutritivo, colorido e belo.

Ame o seu corpo, respeitando as suas necessidades individuais. Nunca se compare com ninguém, pois você é único. E tenha em mente que, durante algum tempo, você conviveu com esse problema alimentar desconhecido e outras pessoas próximas podem sofrer do mesmo caso e não saber por falta de informações.



Texto adaptado "Viva sem alergia" - Alice Sherwood

domingo, 8 de dezembro de 2013

Suco do bom intestino

Ótima opção para quebrar o jejum do dia, oferecendo nutrientes para sua saúde intestinal logo cedo.

Ingredientes:

200ml de água de coco ou água
1 fatia mamão
1 colher de sobremesa de colágeno hidrolisado
2 cubos verdes
1 colher chá farinha de linhaça dourada
Stévia à gosto
Gelo


* Farinha de banana verde: é um complemento que sempre incluo nos sucos, por ser uma fonte de prebióticos, alimentos para a nossa flora intestinal saudável.

Vale sempre!!!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os habitantes da flora intestinal saudável

Probióticos

São microorganismos vivos administrados em quantidades adequadas para conferir benefícios para o intestino. Esses microorganismos devem permanecer vivos após a passagem pelo trato digestivo, para serem então considerados como probióticos.

Principais efeitos:
- Prevenção e tratamento da diarreia aguda
- Prevenção das infecções respiratórias e gastrointestinais
- Doenças inflamatórias intestinais (Doença de Crohn, retocolite ulcerativa)
- Má digestão, pela melhora na síntese de enzimas digestivas
- Intolerancia à lactose
- Constipação (intestino preso)
- Prevenção e tratamento de hipersensibilidades alimentares
- Recomposição da microbiota intestinal / disbiose
- Síndrome do Intestino Irritável (SII)
- Inibicao do crescimento de bactérias patogênicas, como por exemplo o H. pilory e da inflamação gástrica
- Prevenção e tratamento de eczema atópico e dermatite atópica
- Prevenção e auxiliar do tratamento de infecções urogenitais
- Prevenção e auxiliar do tratamento de candidiase de repetição
- Efeito hipocolesterolêmico
- Prevenção de alergias
- Estímulo do sistema imunológico, regulando interleucinas (anticorpos), imunoglobulinas (como a IgE) e citocinas inflamatórias
- Efeito antiinflamatório
- Auxiliar na reposição e reparo das vilosidades e fechamento da mucosa intestinal em pacientes bariátricos
- Controle da hiperinsulinemia e estresse oxidativo relacionados ao Diabetes tipo 2.

Os benefícios são muitos, porém é importante que você tenha orientações de um profissional para saber escolher as cepas probióticas adequadas para cada organismo e patologia, o que depende do estado de saúde atual do indivíduo.

Os probióticos são encontrados na forma de suplementos que podem ser adquiridos prontos ou manipulados, e o mais utilizados são do gênero Lactobacillus,  Bifidobacterium e, em menor escala,  Enterococcus faecium.
Alguns alimentos contém bactérias probióticas, como os iogurtes, mas em alguns casos, esses alimentos podem não ser indicados.

Prebióticos:

São carboidratos que nosso organismo não consegue digerir e conseguem atingir o intestino de forma intacta. Assim, nesse local irão estimular o crescimento e atividades das bactérias amigas do intestino, os probióticos – são os conhecidos “alimentos” dos probióticos.

Quando consumidos estimulam a proliferação da flora intestinal presente no organismo de cada pessoa, favorecendo todas as ações desempenhadas pelos probióticos.
Adicionalmente, o prebiótico pode inibir a multiplicação de patógenos, garantindo benefícios adicionais.

Muitas fórmulas infantis têm sido acrescidas de probióticos, para que as crianças que não puderam ser amamentadas com leite materno possam ter os níveis de bactérias benéficas encontradas em bebês amamentados no peito.

Os mais conhecidos são oligofrutose (FOS) e inulina. São encontrados na forma de suplementos ou nos alimentos.
batata yacon, banana verde, chicória, alho, cebola, aspargos, alcachofra de Jerusalém, bardana, cenoura crua, couve-flor, repolho, alho-poró, além de frutas e outros cereais

Simbióticos

Quando os probióticos e prebióticos são administrados em conjunto, a combinação é conhecida como simbióticos. 
A seleção adequada dos componentes prebióticos dessa mistura pode favorecer a sobrevivência das bactérias probióticas presentes e estimular a atividade das bactérias endógenas do hospedeiro.
Essa combinação é encontrado na forma de suplementos prontos ou manipulados.

Portanto, manter um equilíbrio apropriado da microbiota pode ser assegurado por uma suplementação e organização da dieta alimentar, modulando a saúde intestinal a partir da oferta de probióticos, prebióticos e simbióticos.

Abaixo, segue um resumo sobre seus efeitos:




segunda-feira, 18 de março de 2013

Depressão

Esse final de semana assisti a mais uma aula sobre depressão. Assunto complexo e extenso, que tenho estudado muito para entender um pouco mais sobre o funcionamento do nosso cérebro que tenta interligar e equilibrar diversas funções.

O estresse é uma resposta momentânea do organismo a um estímulo, que se dá através da liberação de hormônios que excitam o cérebro, despertando instintos básicos de luta ou fuga. A expressão "estresse" tornou-se sinônimo de sofrimento humano, mas isso deveria ser visto como uma forma rápida de reação do nosso organismo a um fator inesperado, um momento de defesa. O problema é quando esse fator se torna uma companhia sempre presente, um problema crônico que desperta no nosso cérebro uma tensão incessante para qual ele não foi preparado.

Infelizmente, a prática medicamentosa prevalece a abordagem nutricional, permitindo que a mesma se torne um dos problemas mais preocupante de saúde no mundo, sem dar ao seu organismo uma oportunidade de reversão do sofrimento através de métodos menos agressivos, que podem partir, por exemplo, da compreensão do que é o estresse e de que maneira ele vem a abrir espaços para a depressão, ansiedade e as obsessões.

Cortar o sentimento de estresse não é tão simples como tirar férias e esquecer dos problemas, pois nosso controle sobre isso é menor do que imaginamos. Há diferentes tipos de estresse como o biológico (doenças, machucados ou infecção), social (mais comum, provocado pelo sistema econômico, excesso de informações e atividades, expectativas frustradas, etc) e psicológico (desencontro das nossas aspirações e da realidade). Quando todas essas formas de estresse se fundem, o cérebro entra em sofrimento, abrindo um quadro conhecido como estresse oxidativo, que equivale a uma tempestade neurobioelétrica, de sérias consequências sobre o comportamento.

O estresse oxidativo é um conceito amplo que envolve as respostas em grande escala dos radicais livres e hormônios corticóides, que desempenham no cérebro uma carga de noradrenalina, adrenalina e dopamina, que em excesso bloqueiam a formação de neurotrofinas, as substâncias que protegem nossos neurônios, e aumentam a produção de radicais livres, gerando uma cascata inflamatória.

Assim sendo, a depressão deve ser considerada uma doença inflamatória. E a inflamação piora o quadro, levando no final a neurodegeneração. A inflamação na depressão estimula a enzima indoelamina dioxigenase (IDO), que metaboliza o triptofano para produzir vitamina B3, mas que se transforma também em 5-HTP (precursor da serotonina), depois em serotonina (hormônio do bem estar) e finalmente, em melatonina (hormônio que induz ao sono).

A adequação do triptofano pela dieta é de suma importância para que essas reações aconteçam adequadamente para a formação de hormônios que garantam nossa saúde mental, pois sua falta resulta em alterações do comportamento e humor e desequilíbrio na formação de serotonina, que em deficiência leva à quadros de depressão. Tão importante quanto a sua adequação, é o local de produção de serotonina, que em maior parte ocorre no nosso intestino e quadros de disbiose ou alterações do funcionamento desse órgão, como constipação ou diarréias crônicas, também afetam o equilíbrio.

Se esse triptofano não é bem conduzida dentro do nosso organismo, pode haver a produção do intermediário metabólico ácido quinolínico, que estimula a neurotransmissão glutamatérgica levando a alteração no humor, excitação mental, manias, às vezes irritabilidade, agressividade e competitividade. Também pode ocorrer a abertura de canais de cálcio que, entrando no neurônio em excesso, induzem a morte celular (apoptose).  

Adaptado de Okigami & Monção (2011)

Enquanto a depressão cresce assustadoramente no mundo, diminuem os índices de resolutividade do tratamento e de outros distúrbios mentais relacionados. E em muitos casos em que algum sucesso é conquistado, o que se percebe é um anestesiamento do problema, o que é bem diferente de uma reorganização bioquímica do cérebro para a retomada da vida.

Trabalhar a depressão como doença inflamatória é uma obrigação no tratamento. Não quero dizer que o tratamento medicamentoso não deva ser feito, mas ele precisa de outros suportes. Através da Nutrição, é possível modular a formação de serotonina, nas devidas reações dependentes de nutrientes como ácido fólico (vitamina B9) e vitamina B6, modular o zinco e glutamato, que acelera a recuperação do paciente, e ainda inibir a indoelamina dioxigenase, o que melhora mais ainda o quadro.

Aqui cabe a minha questão sobre a prescrição dos medicamentos... se a maioria das condutas se trata de um inibidor da recaptação de serotonina (IRSS), fazendo-a ficar mais tempo circulante e desempenhando seu papel, não é preciso ter  formação adequada dessa serotonina? E não é a deficiência dessa serotonina que leva a quadros de depressão? Não é preciso realizar exames bioquímicos com interpretação de valores ideais (e não valores de referência)? Não é preciso repor nutrientes essenciais em conjunto ao tratamento?

Dieta adequada, medicamentos, fitoterápicos e suplementos, interpretação de exames bioquímicos interagem para aumentar a eficácia do tratamento. Não deixe de realizar um tratamento multidisciplinar quando você tem esses tipos problemas.

Consulte um profissional Nutricionista!


Fonte de consulta: Henry Okigami, Helion Póvoa